Casa foi queimada em aldeia Pataxó enquanto indígenas participavam de audiência em Brasília

Na manhã desta terça-feira (11), enquanto cerca de 300 indígenas dos povos Pataxó e Tupinambá participavam, em Brasília (DF), da audiência pública que discutia a demarcação de terras indígenas na Bahia, o povo Pataxó foi alvo de mais um ato de violência. Por volta das 10h30 da manhã, pessoas não identificadas atearam fogo a uma casa na aldeia Monte Dourado, localizada no interior da Terra Indígena (TI) Comexatibá. Não houve feridos e o incêndio foi controlado.

Segunda uma moradora da aldeia, não identificada por razões de segurança, a porta da casa foi arrombada. Os Pataxó ouviram um barulho alto, atribuído a fogos de artifício que podem ter sido usados para iniciar o incêndio, e logo viram as chamas. Um mutirão com baldes foi iniciado imediatamente e o fogo foi controlado. A ação foi interpretada como uma ameaça. “Nós estamos entendendo como um aviso”, relatou a moradora.

A aldeia Monte Dourado fica localizada no interior da TI Comexatibá, delimitada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em julho de 2015, e não é uma retomada recente. “A aldeia existe há uns vinte anos, mais ou menos. Só que, mesmo não estando na retomada, nós somos todos parentes, somos todos Pataxó. E acabamos sofrendo todos a mesma violência”, afirma a moradora.

Na noite anterior, o indígena Vitor Braz, morador da retomada Terra à Vista, localizada na TI vizinha, Barra Velha do Monte Pascoal, foi assassinado durante um ataque contra uma comunidade Pataxó. O atentado deixou, ainda, outro indígena ferido por disparos de arma de fogo.

O caso foi lembrado com um minuto de silêncio na audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal (MPF), que serviu para cobrar do governo federal a emissão das portarias declaratórias das TIs Tupinambá de Olivença, Tupinambá de Belmonte e Barra Velha do Monte Pascoal, aguardadas há mais de uma década.

“Hoje, nós amanhecemos com nosso território sangrando”, afirmou a liderança Uruba Pataxó, vice-cacica da aldeia-mãe da TI Barra Velha. “Não estamos aqui pedindo. É um direito nosso ter o nosso território sagrado demarcado e homologado. Hoje, estamos sendo mortos, os corpos das nossas mulheres e das nossas crianças sendo expostos, dentro do território, por aqueles invasores que falam que são donos da terra. Os donos somos nós”.

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