“Em Salvador, pra ter acesso a exame, o povo tem que procurar um cabo eleitoral”, denunciou o pré-candidato ao Senado, Rui Costa (PT), durante entrevista à Rádio Popular FM, nesta quinta-feira (30). “Isso é politicagem, é chantagem eleitoral”, definiu. Na avaliação dele, esse modelo transforma um direito da população em instrumento de favorecimento político. “Isso não é política pública”, declarou.
Para o ex-ministro da Casa Civil e ex-governador, a gestão municipal promove desigualdade no acesso aos serviços básicos. Rui afirmou que uma parcela significativa da população da capital baiana ainda vive sem cobertura de atenção básica e denunciou o que classificou como uso político da oferta de exames, consultas e outros benefícios públicos.
Rui Costa contou que, constantemente, ouve da população a reclamação: exames e consultas estariam sendo distribuídos por meio de cotas ligadas a vereadores, cabos eleitorais e lideranças políticas, em vez de obedecerem a critérios técnicos e universais do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Rui Costa, cerca de 40% dos moradores de Salvador não contam com postos de saúde em suas regiões. Para ele, além da falta de cobertura, a população enfrenta dificuldades para conseguir medicamentos, realizar exames e obter atendimento médico.
“O que mais o povo reclama é que falta posto de saúde, falta remédio e não consegue fazer exames nem consultas”, afirmou.
Rui Costa ainda ampliou as críticas para programas habitacionais e de melhoria das moradias. Segundo ele, iniciativas desse tipo também não podem ser utilizadas como moeda de troca política. O ex-ministro comparou a situação ao programa Minha Casa, Minha Vida e afirmou que seria inaceitável condicionar o acesso ao benefício à indicação de parlamentares ou lideranças políticas.

