Agora cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro na Bahia, ACM Neto divide com o candidato à Presidência a mesma teia de escândalos
Mais uma revelação coloca ACM Neto no centro do escândalo do Banco Master. Mensagens de WhatsApp de Daniel Vorcaro, reveladas pelo UOL nesta segunda-feira (12), mostram que o banco recorreu ao ex-prefeito de Salvador para voltar à lista de instituições autorizadas a receber dinheiro dos fundos de previdência de estados e municípios, o dinheiro que paga aposentadorias e pensões de servidores públicos.
Em abril de 2024, o Master ficou fora da lista do Ministério da Previdência Social. Para Vorcaro, a exclusão ameaçava uma das fontes que mantinham o banco de pé, e ele tratou o caso como urgência. ACM Neto se reuniu com o diretor comercial do Master para tratar do tema e, no dia seguinte, o banco enviou ao ministério um documento contestando as exigências. Em menos de dez dias, o Master voltou à lista, e foi a única instituição acrescentada na atualização.
Com a lista publicada, o diretor do Master escreveu a ACM Neto: “Irmão, passando pra agradecer mais uma vez o seu apoio incondicional!”.
A mesma reportagem aponta ACM Neto, Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, e o lobista Ricardo Siqueira, o “Gordo”, alvo da operação Compliance Zero, como articuladores da captação que levou bilhões de reais de fundos de previdência ao Master até a liquidação do banco, em novembro de 2025. Esse dinheiro não tinha cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, e os fundos de aposentados tentam na Justiça recuperar o que perderam.
Comissão de 10%
A revelação reforça o que Vorcaro já havia contado. Em proposta de delação revelada pelo UOL, o banqueiro afirmou que ACM Neto e Rueda ficavam com 10% dos valores que institutos de previdência aplicavam no Master. Pelo relato, os dois abriram as portas do banco nas previdências do Rio de Janeiro, do Amazonas e do Amapá, além da Cedae, a companhia de águas do Rio. Vorcaro descreveu pagamentos em dinheiro vivo e contratos de consultoria de fachada com a empresa de ACM Neto.
As conversas extraídas pela Polícia Federal já tinham exposto a intimidade entre os dois. ACM Neto chamava Vorcaro de irmão, marcava encontros reservados com ele na sala privada de uma charutaria em São Paulo, ao lado de Rueda, e chegou a relatar ao banqueiro que em Brasília “saiu tudo como desejávamos na política”. Comunicações bancárias enviadas ao Coaf apontam pagamentos milionários do Master e da gestora Reag à empresa do ex-prefeito.
É com esse histórico que ACM Neto entrou na campanha de Flávio Bolsonaro. Dois dias depois de perder pela segunda vez a eleição para Jerônimo Rodrigues, ele foi a Brasília e, ao lado de Flávio, declarou apoio ao candidato e prometeu pôr prefeitos, deputados eleitos e aliados para trabalhar pela campanha dele na Bahia. O candidato da extrema direita também está enredado com Vorcaro. Flávio admitiu ter cobrado do banqueiro parcelas atrasadas do patrocínio ao filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, e os investigadores suspeitam que parte do dinheiro bancou Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O operador financeiro que teve a delação homologada pelo ministro André Mendonça afirma que os repasses foram determinados por Vorcaro depois de pedidos de Flávio.