Competição se consolida não apenas como celeiro de talentos do futebol de várzea, mas como um movimento crucial contra o preconceito e pela inclusão social no esporte.
O gramado sintético da Taça das Favelas em Salvador foi cenário de muita emoção, talento e resistência no último dia 24 de outubro. Mais do que disputas por gols e classificação, o torneio — que conta com o patrocínio da Petrobras e co-realização da CUFA Bahia e Favela Holding — tem cumprido um papel histórico: dar visibilidade e estrutura profissional para meninas de comunidades que sonham em viver do futebol.
Em entrevista exclusiva ao portal, a coordenadora da Taça das Favelas, Eliane, destacou a grandiosidade e o impacto social da iniciativa. Segundo ela, o torneio funciona como um verdadeiro “celeiro de oportunidades” gratuito.
“A importância é muito grande, porque é um dos maiores campeonatos de várzea que já vi. Dá oportunidade e visibilidade para as meninas que têm futebol, que têm talento e não têm empresário para ter isso aqui de graça — espaço, mídia, tudo o que ela teria que pagar, aqui ela tem de graça pela CUFA”, ressaltou Eliane.
Superando barreiras e preconceitos
Apesar da crescente visibilidade do futebol feminino e de exemplos inspiradores como o de atletas baianas convocadas para seleções, o caminho ainda exige muita luta. Eliane aponta que o preconceito e a escassez de patrocínios nos bairros periféricos continuam sendo grandes barreiras.
“Muitas vezes a menina é de favela, joga muito mais do que quem tem empresário, mas não é direcionada para algo melhor”, pontua a coordenadora, que também reforça o engajamento gerado pelo momento histórico da modalidade e pela expectativa em torno de grandes eventos internacionais no país.
Com o apoio de instituições como o Ministério do Esporte, Sebrae, Bracell e Rede Bahia, a Taça das Favelas segue provando que o talento das periferias baianas tem endereço certo e merece o topo.
credito Reporter Tiago Fernandez