Flores de Aço: Às Mulheres da Minha Vida

O Dia Internacional da Mulher não nasceu de flores ou gentilezas, mas do fogo e da luta por dignidade. Mais do que uma celebração, o 8 de março é um marco histórico de resistência contra condições desumanas de trabalho e pela conquista do direito fundamental de termos voz na sociedade. Celebrar esta data hoje é honrar as que vieram antes de nós e reafirmar que nossa liberdade não é um presente, mas um direito pelo qual continuaremos lutando, degrau por degrau, até que a igualdade não seja mais um objetivo, mas a nossa realidade.

Tenho a honra de escrever este texto no auge do meu entendimento sobre a reverência que devo ter a todas as mulheres que compõem minha vida e a vida de tantos!

Sem a mulher não existe a VIDA! Estava ouvindo um podcast fantástico sobre como inúmeros países agora pagam para que mulheres possam reproduzir em idade tenra, incentivando a natalidade com propostas indecorosas a adolescentes. O mundo entendeu que precisam de nós e, ao mesmo tempo que isso acontece (olha que loucura!), a mulher passa a não aceitar mais que briguem com ela, que digam o que ela precisa ser ou que ditem normas e formas de relacionamento. Quando o lugar onde se está torna-se insuportável, a mulher sai e diz que não aceita mais. Por isso, estão nos matando. Mata-se uma mulher no Brasil a cada 6 horas, porque querem calar nosso desejo de ser quem somos.

O mundo teme as mulheres. Eu me coloco nesse lugar também, pois faço parte do número de mulheres que conquistaram independência profissional, financeira e emocional. E, parceiro, “bancar” tudo isso não é para qualquer homem. Muitas estão no mesmo processo que eu. Nós não escolhemos mais um parceiro pela segurança financeira que ele pode dar ou apenas pelo que ele provê ao lar. As mulheres agora provêem o lar, arcam com tudo, e a sociedade não consegue acompanhar essa evolução; ainda pensam que uma mulher escolhe estar sozinha por falta de opções. Na verdade, as opções que aparecem não chegam à altura de negociar sua paz e o lugar que conquistaram. Por isso, elas se despedem de machistas, ignorantes, abusadores, narcisistas e aproveitadores. E, por agirem assim, nos matam.

Essa realidade é muito triste! Mas penso que estamos em uma luta sem volta. Estamos ocupando postos de comando na polícia, nas forças armadas e nas grandes empresas. Essa ocupação deixa tudo mais sensível, mais nobre e incrível! Sinto medo por ser mulher, devido a tudo o que acontece, mas sinto um orgulho imenso quando vejo tantas mulheres em quem me espelhar.

Hoje, reverencio todas elas. Em minha mãe, vejo o alicerce silencioso que transformou sacrifício em possibilidade e nos ensinou que a ternura não exclui a força; ela abdicou de tudo para criar nós quatro e ainda adotou uma filha muito cedo. Ela me deu o dom da percepção emocional, a delicadeza e a sensibilidade. Reverencio minhas ancestrais, que me deram a força para ser quem sou hoje. Minha avó Maria, minha avó Lucy e minhas irmãs — duas potências que me ensinam diariamente a resiliência e a garra de viver. Reverencio tantas outras amigas e irmãs de vida; sigo com força por causa de cada uma delas.

Todos sabem que o mundo é muito melhor com a participação feminina. Mas quero falar agora aos homens: respeitem as mulheres com tudo o que puderem. Ouçam-nas, deixem-nas falar sem interrupções, sejam cúmplices e parceiros. Quando ouvirem um homem difamando uma mulher, usem a lei da ponderação: entendam os lados e não perpetuem essa chacina que está acontecendo!

Desejo profundamente que um dia eu possa correr na rua como eu quiser, sem medo, apenas por ser mulher. Que o Brasil de amanhã possa ser tão acolhedor e seguro quanto o amor que recebi e recebo de cada mulher na minha vida!

Um feliz Dia da Mulher a todas nós!

Thiara Bagdeve

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