A decisão do Ministério de Minas e Energia de renovar por mais três décadas a concessão da Neoenergia Coelba, controlada pela espanhola Iberdrola, caiu como um balde de água fria para milhares de baianos e reacendeu uma revolta antiga: afinal, por que manter um serviço tão criticado por tanto tempo.
A decisão vai na contramão de um relatório produzido na Assembleia Legislativa da Bahia, que recomendava justamente o oposto: não renovar o contrato e abrir uma nova licitação. O documento expôs um cenário preocupante, com falhas recorrentes no fornecimento, que vão de quedas constantes de energia até dificuldades de atendimento em áreas produtivas do estado.
Mas os números tornam o caso ainda mais explosivo. São mais de 44 mil ações judiciais contra a concessionária, além de uma enxurrada de reclamações de consumidores que denunciam prejuízos, descaso e tarifas cada vez mais altas. Para muitos, a sensação é de que a conta só cresce enquanto o serviço não acompanha.
A renovação levanta um questionamento direto: interesses técnicos prevaleceram ou a população ficou em segundo plano? Em um estado onde energia elétrica impacta diretamente comércio, indústria e o dia a dia das famílias, manter o mesmo modelo por mais 30 anos soa, para críticos, como insistir no erro.
Enquanto isso, consumidores seguem enfrentando apagões, prejuízos e dificuldade para serem ouvidos. E agora, com o contrato garantido até as próximas décadas, cresce a preocupação: se já está ruim, o que pode mudar ou piorar daqui pra frente.
