A declaração do governador Jerônimo Rodrigues de que não guarda ressentimentos após o apoio de Zé Ronaldo e Zé Cocá ao ex-prefeito ACM Neto pode até soar diplomática mas, nos bastidores, o sentimento parece bem mais complexo.
Quando aliados históricos mudam de lado, dificilmente passa despercebido. E, mesmo com o discurso público de tranquilidade, a movimentação deixou marcas políticas difíceis de ignorar. Em política, “sem mágoa” muitas vezes significa apenas que o incômodo não será exposto por completo — pelo menos por enquanto.
A saída de apoios importantes levanta dúvidas sobre a solidez da base governista e expõe um cenário de desconforto silencioso. Afinal, confiança política não se perde de um dia para o outro ela se desgasta, se rompe e cobra seu preço.
Jerônimo tenta manter a postura institucional, evitando confronto direto. Mas o gesto dos ex-aliados tem peso simbólico: sinaliza insatisfação, reposicionamento e, principalmente, um alerta de que o jogo político está em movimento constante e ninguém está totalmente seguro.
No fim das contas, a fala pode até ser “sem mágoa” para fora, mas por dentro, a política raramente esquece.

