O caso que mistura advocacia e crime organizado ganhou contornos ainda mais explosivos. A advogada Poliane França Gomes, conhecida como “Rainha do Sul”, teve seu registro profissional suspenso pela Ordem dos Advogados do Brasil após ser apontada como peça-chave na engrenagem da facção.
Presa desde novembro, Poliane é investigada por, segundo a Polícia Civil, atuar diretamente na estrutura criminosa: intermediando recados, repassando ordens e até ajudando a reorganizar territórios dominados pela facção. A suspeita é de que sua atuação ia muito além da defesa jurídica cruzando uma linha perigosa entre o Direito e o crime.
As investigações também revelam uma ligação íntima com o líder da facção, Leandro de Conceição Santos Fonseca, o “Shantaram”, considerado um dos criminosos mais temidos do estado. Mesmo preso no Presídio de Segurança Máxima de Serrinha, ele continuaria comandando ações fora das grades com, supostamente, o apoio direto da advogada.
Relatórios indicam ainda que Poliane mantinha atuação constante em processos ligados ao comparsa Léo Gringo e outros integrantes da facção, levantando suspeitas sobre o uso da advocacia como ponte estratégica para o crime organizado.
A prisão ocorreu em sua residência, no bairro de São Caetano, em Salvador, onde policiais apreenderam cerca de R$ 190 mil em dinheiro vivo mais um elemento que reforça a gravidade do caso.
A operação que levou à sua captura, batizada de Operação Rainha do Sul, mobilizou o Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico e resultou em uma ofensiva de grandes proporções: 14 prisões, 25 mandados de busca, R$ 1 milhão em joias apreendidas e o bloqueio de impressionantes R$ 100 milhões em contas bancárias.
Enquanto o escândalo cresce, a OAB-BA informou que o caso segue sob sigilo no Tribunal de Ética e Disciplina.

