Para entidade, custos elevados da aviação e falta de medidas estruturais comprometem a conectividade, o turismo e o desenvolvimento econômico da Bahia
A redução de voos da Gol Linhas Aéreas com origem ou destino em Salvador acende um alerta para o turismo e a economia baiana. Para a Associação Comercial da Bahia (ACB), a suspensão de rotas evidencia a necessidade de o poder público enfrentar os fatores que encarecem a aviação no Brasil e comprometem a competitividade dos destinos turísticos.
Entre os trechos afetados estão ligações de Salvador com cidades como Aracaju, Petrolina, Campina Grande, Porto Seguro, Curitiba e Porto Alegre, além da rota direta para Buenos Aires, conforme informações divulgadas sobre as mudanças na malha aérea. A Gol atribui os ajustes ao aumento do preço do querosene de aviação (QAV) que, segundo a companhia, dobrou de preço e representa cerca de 40% de seus custos operacionais.
O custo do combustível é um problema antigo no setor. Estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com dados até dezembro de 2020, apontou que o querosene de aviação no Brasil custava entre 30% e 40% mais do que nos Estados Unidos. Naquele levantamento, o combustível representava aproximadamente 30% das despesas operacionais das companhias brasileiras, acima da média internacional considerada no estudo.
Para Davidson Botelho, coordenador da Câmara de Turismo da ACB, o cenário exige uma resposta mais efetiva do poder público. Embora as companhias tenham autonomia para decidir sobre suas operações, a entidade avalia que a falta de soluções para os entraves estruturais da aviação agrava as dificuldades do setor e ameaça a conectividade dos destinos.
“Não podemos tratar a redução dos voos como um problema exclusivo das companhias aéreas. O Brasil convive há anos com custos elevados que afetam a competitividade da aviação, e é preciso cobrar do poder público medidas concretas para enfrentar essa realidade. Quando não há condições econômicas favoráveis para manter e ampliar as rotas, o turismo e a economia também são prejudicados”, afirma Davidson.
Para a Bahia, a redução da malha aérea representa mais do que uma mudança na operação de uma empresa. A conectividade é um dos pilares da competitividade turística e um fator estratégico para o desenvolvimento econômico. Menos voos diretos podem significar viagens mais longas, conexões adicionais e custos maiores, afetando o deslocamento de turistas, profissionais e investidores.
Os impactos podem alcançar hotéis, bares, restaurantes, operadores turísticos e organizadores de eventos, além de dificultar o acesso aos destinos do interior. A perda de ligações aéreas também pode reduzir a atratividade da Bahia para visitantes de mercados nacionais e internacionais.
A ACB defende a articulação entre os governos federal e estadual, as companhias aéreas, os administradores aeroportuários e o setor turístico para discutir medidas que reduzam os custos da aviação e favoreçam a sustentabilidade econômica das rotas. O objetivo deve ser criar condições para preservar a conectividade existente e estimular novas ligações.
“A Bahia não pode permitir que suas vantagens turísticas sejam enfraquecidas pelas dificuldades de acesso. O desafio não é apenas recuperar voos, mas criar condições par