Após enchentes e estiagens, pecuária gaúcha agora enfrenta alta pressão de carrapatos 

O Rio Grande do Sul passou a enfrentar uma sequência de eventos climáticos extremos nos últimos anos, cenário que alterou profundamente a rotina do campo. Enchentes históricas, estiagens prolongadas, ondas de calor e períodos de alta umidade deixaram de ser episódios isolados e passaram a fazer parte da realidade da produção agropecuária gaúcha. Agora, além dos impactos diretos sobre pastagens e produtividade, produtores rurais também enfrentam outro reflexo dessas mudanças: o aumento da infestação de carrapatos nos rebanhos bovinos.

A combinação entre temperaturas elevadas, umidade e estresse climático tem criado condições favoráveis para a proliferação do parasita, especialmente em regiões com predominância de animais taurinos e sistemas extensivos de criação a pasto, características tradicionais da pecuária do Sul do país. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus) está entre os principais entraves sanitários da bovinocultura brasileira, gerando prejuízos estimados em mais de US$ 3 bilhões anuais no país, considerando perdas produtivas e custos de controle sanitário.

Além da redução no ganho de peso e na produção leiteira, o carrapato também favorece a transmissão de enfermidades, como a tristeza parasitária bovina, aumentando os impactos sobre a rentabilidade das propriedades rurais.

De acordo com Herton Lorenzoni, médico-veterinário da Ourofino Saúde Animal, o cenário climático registrado nos últimos anos vem tornando o controle sanitário cada vez mais desafiador no estado: “O carrapato sempre esteve presente na pecuária, mas o que observamos agora é uma intensificação favorecida pelas alterações climáticas. O ambiente ficou muito mais propício para o desenvolvimento do parasita ao longo do ano, especialmente em sistemas de criação a pasto”, afirma.

O especialista destaca que o problema vai além da maior incidência dos parasitas. Em diversas regiões do país, pesquisadores já identificaram casos de resistência a produtos tradicionalmente utilizados no manejo sanitário. Estudos conduzidos pela Embrapa e por universidades brasileiras apontam avanço da chamada multirresistência, dificultando o controle das infestações e aumentando os custos operacionais das fazendas.

“Muitos produtores relatam perda de eficiência de moléculas utilizadas há anos no mercado. Isso reforça a importância de estratégias mais eficientes, associadas à rotação de princípios ativos e ao uso de tecnologias mais modernas para reduzir a pressão de seleção dos parasitas”, explica Herton.

Nesse contexto, alternativas voltadas ao manejo integrado vêm ganhando espaço no setor pecuário. Entre elas está o Nexlaner®, ectoparasiticida à base de fluralaner, desenvolvido pela Ourofino Saúde Animal e indicado para o controle de carrapatos, mosca-dos-chifres e outros parasitas em bovinos. O produto surge como uma das soluções adotadas pelo setor para auxiliar no enfrentamento da resistência parasitária observada em diferentes regiões produtoras.

A percepção dos impactos já começa a ser sentida diretamente dentro das propriedades rurais gaúchas.

“A dificuldade no controle do carrapato tem aumentado significativamente nos últimos anos. As altas infestações, favorecidas pelas condições climáticas, somadas ao avanço da multirresistência, geram perdas importantes na produção, elevam os custos e exigem que o produtor adote medidas integradas de controle, com protocolos sanitários bem definidos e acompanhamento técnico personalizado para cada propriedade”, afirma João Augusto Botelho do Nascimento, médico-veterinário e produtor rural de pecuária de corte em São Martinho da Serra (RS). 

Para Herton Lorenzoni, da Ourofino Saúde Animal, o avanço do problema reforça a necessidade de um olhar mais estratégico para a sanidade animal, especialmente diante de um cenário climático cada vez mais instável.

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