As referências de ACM Neto na segurança pública acabaram na mira do MP e da Polícia Federal

O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, não cansa de dizer que busca exemplos fora da Bahia para implantar no estado que sonha governar. Na segurança pública, suas referências seguem o mesmo roteiro: governos de direita alinhados ao bolsonarismo. O que ACM Neto não diz é que esse modelo não resolve os problemas da população e ainda abre espaço para o crime organizado infiltrar as corporações responsáveis por combatê-lo. O caso mais recente veio de São Paulo.

No estado governado por Tarcísio de Freitas, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) mantém ligação com a cúpula da Polícia Militar. Segundo as investigações, dois operadores da facção tinham relação direta com dois coronéis da corporação. É esse o modelo que ACM Neto apresenta como exemplo para a Bahia.

Em novembro do ano passado, o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, foi um dos convidados do evento SOS, promovido pela Fundação Índigo, braço do União Brasil presidido por ACM Neto. O encontro tinha como objetivo discutir soluções para a insegurança nas cidades brasileiras. A pergunta que fica é: um modelo em que o crime organizado consegue se infiltrar na estrutura da polícia pode servir de referência para a Bahia?

Os questionamentos, porém, não param por aí. Outro nome apresentado por ACM Neto como referência em segurança pública acabou preso pela Polícia Federal. Márcio Canella, que participou do lançamento do MBA em Segurança Pública da Fundação Índigo, foi preso em flagrante. Na ocasião, o ex-prefeito de Belford Roxo teve sua gestão classificada por ACM Neto como “realmente transformadora”.

Além disso, o União Brasil, partido de ACM Neto, governa o Amapá, estado que, pelo segundo ano consecutivo, foi apontado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública como o mais violento do país. Enquanto o ex-prefeito divulga nas redes sociais o modelo de direita que, segundo ele, resolveria os problemas da Bahia, o estado registra avanços. O mesmo anuário mostra que a Bahia reduziu em 9,6% as mortes violentas intencionais em 2025, índice superior à queda nacional, de 8,2%. Em 2026, a redução na Bahia chegou a 20,5% no primeiro semestre e a 29,7% em Salvador.

Crédito: Iander Porcella

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