Sistema imunológico mais vulnerável faz de crianças de até cinco anos e idosos os principais grupos de risco para complicações causadas pelos vírus respiratórios.
A Bahia contabilizou 5.924 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) este ano, o equivalente a uma média de 247 ocorrências por semana. Os dados, divulgados pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), mostram que crianças de até cinco anos e idosos seguem entre os grupos mais vulneráveis às complicações provocadas por vírus respiratórios.
Do total de notificações, quase 61% ocorreram em crianças menores de cinco anos, com 3.590 registros. Os idosos com 80 anos ou mais também aparecem entre os grupos mais afetados, somando 329 casos. Até o período analisado, a doença provocou 181 mortes no estado.
Entre os vírus respiratórios identificados nos casos de SRAG, o rinovírus foi o mais frequente, responsável por 48,4% das ocorrências, seguido pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), com 42,1%. Também foram registrados casos associados a adenovírus, metapneumovírus, bocavírus e parainfluenza. Quase metade de todos os casos registrados na Bahia, 2.760 notificações, o equivalente a 46,6% do total estadual, está concentrada na macrorregião Leste, onde está Salvador.
A médica geriatra Paula Caroline Pinto, da Clínica Florence, alerta que o envelhecimento traz alterações naturais do sistema imunológico que tornam os idosos mais suscetíveis às formas graves das infecções respiratórias. “Com o avanço da idade, o organismo responde de forma menos eficiente às infecções, principalmente quando o paciente já convive com doenças como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas ou pulmonares. Uma infecção respiratória que, em pessoas jovens, costuma evoluir de forma leve pode provocar insuficiência respiratória, necessidade de internação e até comprometer a recuperação funcional do idoso. Por isso, prevenção, vacinação e atendimento precoce aos primeiros sintomas fazem toda a diferença”, destaca a médica.
Olhar atento de cuidadores e familiares
A especialista lembra que familiares e cuidadores devem ficar atentos a sinais que nem sempre se apresentam da forma clássica na população idosa. “Além da febre e da tosse, o idoso pode apresentar sonolência excessiva, confusão mental, perda de apetite, fraqueza intensa ou piora de doenças já existentes. Esses sintomas muitas vezes atrasam o diagnóstico e aumentam o risco de complicações”.
Entre as crianças, o cenário também exige atenção. Segundo a pediatra Maria Heloina Moura Costa, pediatra e emergencista pediátrica do Hospital Aliança, *o elevado número de casos em menores de cinco anos está diretamente relacionado às características do desenvolvimento do sistema imunológico e do aparelho respiratório nessa faixa etária*. “As crianças menores são expostas a um elevado número de vírus na infância, o que faz parte do desenvolvimento normal do sistema imunológico. Entretanto, por terem vias aéreas mais estreitas e dificuldade para expectorar, ocorre maior acúmulo de secreção, o que propicia complicações e quadros mais graves. O Vírus Sincicial Respiratório é um dos principais responsáveis pelas internações nessa idade, especialmente entre bebês menores de 2 anos”.
A especialista orienta que pais e responsáveis estejam atentos aos sinais que indicam necessidade de atendimento médico imediato. Respiração acelerada, dificuldade para respirar, afundamento das costelas durante a respiração, recusa em se alimentar ou ingerir líquidos, sonolência excessiva, gemência, palidez ou coloração arroxeada nos lábios são sinais de alerta que exigem avaliação médica urgente.
Medidas simples continuam sendo essenciais para reduzir a circulação dos vírus respiratórios. A médica alerta que é fundamental manter a vacinação em dia, higienizar frequentemente as mãos, evitar contato com pessoas sintomáticas e manter acompanhamento médico regular, além de procurar o serviço de saúde na presença de sinais de alarme, especialmente quando envolvem crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas.

