“Catraca facial, mas sem básico”: denúncia expõe escolas de Salvador com calor extremo e falta de estrutura

O professor, jornalista e pré-candidato a deputado estadual Jorge Sales denunciou nas redes sociais a instalação de catracas com reconhecimento facial em escolas da rede municipal de Salvador, enquanto, segundo ele, unidades de ensino ainda enfrentam a ausência de itens essenciais como ventilação adequada e materiais básicos.

Em vídeo publicado na última quinta-feira (11), Sales mostra uma sala de aula com um aparelho de ar-condicionado sem instalação, apontando falhas na fiscalização da empresa responsável pelo serviço. De acordo com o professor, os alunos assistem às aulas sob forte calor, contando apenas com ventiladores insuficientes.

A crítica central é de que a prioridade da gestão municipal estaria invertida, com investimentos em tecnologia de controle em detrimento de condições mínimas para o funcionamento das escolas. “Enquanto falta papel higiênico, material didático e até papel para impressão de atividades, a prioridade é catraca com reconhecimento facial”, afirmou.

Na publicação, ele também questiona a destinação dos recursos públicos e a ausência de transparência sobre estudos que justifiquem a implementação do sistema. “Estamos trocando o direito à educação plena por vigilância e controle. A quem interessa esse tipo de investimento?”, indagou.

O uso da tecnologia nas escolas está previsto na Lei nº 9.940/2026, sancionada pela Prefeitura de Salvador e publicada no Diário Oficial do Município em março. A proposta, de autoria do vereador Cláudio Tinoco, aliado do prefeito Bruno Reis, determina a implantação do sistema mediante cronograma de licitação e execução por parte do Executivo.

A denúncia reacende o debate sobre prioridades na educação pública e levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre modernização tecnológica e garantia de condições básicas para alunos e professores.

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