As mudanças climáticas deixaram de ser apenas tema de relatórios científicos para ocupar também o centro da literatura contemporânea brasileira. Em romances distópicos, narrativas regionais e obras voltadas à educação e à sustentabilidade, autores de diferentes partes do país transformam enchentes, secas, ecoansiedade, deslocamentos forçados e conflitos ambientais em histórias que ajudam a compreender o presente e imaginar o futuro. No Dia Mundial do Meio Ambiente, essas obras revelam como a ficção e a reflexão crítica podem ampliar o debate sobre crise climática, território, desigualdade e sobrevivência.
Entre distopias ambientadas em 2072, romances atravessados pelas enchentes do Guaíba e histórias sobre comunidades ameaçadas pelo avanço do capital sobre a natureza, os livros selecionados mostram que o debate ambiental nunca está dissociado das relações humanas, sociais e políticas. A lista também inclui uma obra voltada à educação e à formação docente, reforçando o papel do conhecimento e da consciência coletiva na construção de futuros mais sustentáveis.
No romance publicado pela Editora Rocco, a crise climática atravessa uma história de amor, luto e disputa territorial no interior paulista em meados da década de 2030. A obra aborda ecoansiedade, greenwashing, agrofloresta e formas coletivas de resistência, propondo uma reflexão sobre os futuros possíveis diante do colapso ambiental. Mariana Brecht é escritora, roteirista e narrative designer de jogos digitais, finalista do Jabuti e co-roteirista do jogo A Linha, vencedor do Primetime Emmy Award.

