Lula entra em campo e desequilibra disputa na Bahia a favor de Jerônimo

A presença de Lula na convenção que oficializa a candidatura de Jerônimo Rodrigues altera a temperatura da eleição baiana. O presidente chega ao Parque de Exposições carregando uma vantagem de 34 pontos sobre Flávio Bolsonaro no estado: 52% a 18%, segundo a pesquisa Genial/Quaest. Num confronto estadual praticamente empatado, essa diferença transforma o apoio de Lula no ativo eleitoral mais poderoso da campanha.

A mesma pesquisa coloca ACM Neto com 39% e Jerônimo com 38%, dentro da margem de erro de três pontos. Em abril, a distância era de quatro pontos: Neto aparecia com 41% e Jerônimo, com 37%. O governador avança, encosta no adversário e chega ao início oficial da campanha com espaço para crescer entre os 13% que ainda não escolheram candidato.

Jerônimo também entra na disputa sustentado pela avaliação do próprio governo. A Genial/Quaest mostra que 57% dos baianos aprovam sua gestão e 52% consideram que ele merece ser reeleito. A força de Lula, portanto, encontra um governador que já conta com uma base própria de apoio e reúne condições para buscar, entre os eleitores do presidente, os votos que ainda não chegaram à candidatura estadual.

A equação ajuda a explicar o peso da convenção. Jerônimo aparece com 38%, enquanto Lula alcança 52% na Bahia. Existe uma faixa considerável do eleitorado lulista que ainda não declarou voto no governador, repetindo o cenário de 2022, quando o apoio do presidente impulsionou Jerônimo ao longo da campanha e foi decisivo para a vitória sobre ACM Neto no segundo turno.

Do outro lado, a associação com o bolsonarismo cobra um preço elevado. Flávio Bolsonaro tem apenas 18% no estado. Quanto mais a disputa nacional ocupa o debate baiano, mais difícil se torna para Neto conciliar o apoio recebido da família Bolsonaro com a tentativa de se apresentar como candidato independente.

Lula oferece a Jerônimo algo que Bolsonaro não consegue entregar a Neto na Bahia: capacidade de reunir o voto popular, mobilizar o interior e dar identidade à chapa estadual. Os candidatos lulistas também lideram a disputa pelo Senado, com Rui Costa marcando 22% e Jaques Wagner, 16%, outro sinal de que a força presidencial se espalha pelo conjunto da chapa.

Ao subir no mesmo palanque e pedir votos para Jerônimo, Lula leva para uma eleição estadual apertada o peso de dois campos nacionais profundamente desiguais na Bahia. Enquanto o governador busca aproximar sua votação dos 52% alcançados pelo presidente, ACM Neto precisa administrar uma aliança que pode afastar muito mais eleitores do que atrair.

Foto: Evertton Pacheco

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