Documento cita “indícios veementes” de que banqueiro tinha informações sobre a investigação, incluindo nomes de policiais envolvidos no caso
A Polícia Federal (PF) identificou, em novembro de 2025, indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tinha conhecimento antecipado da investigação que apurava irregularidades na instituição antes de ser preso. Segundo a corporação, ele teria acesso a informações internas sobre a apuração.
A informação foi divulgada após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso na noite de quinta-feira (10). A medida ocorreu após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.
De acordo com a PF, Vorcaro não sabia apenas da existência do inquérito. Os investigadores apontaram que ele teria conhecimento de detalhes sobre a condução da apuração e informações relacionadas à equipe responsável pelo caso.
A CNN teve acesso ao pedido de prorrogação da investigação, no qual a delegada responsável afirma haver “indícios veementes” de que o banqueiro sabia qual vara e qual juiz conduziam o procedimento, além dos nomes de integrantes da equipe policial.
A suspeita de acesso antecipado a informações sigilosas se soma a outras descobertas recentes envolvendo o círculo de Vorcaro. Segundo investigação da PF, pessoas ligadas ao ex-banqueiro teriam obtido dados sigilosos de processos do Ministério Público Federal por meio de acessos vinculados a servidores. Em um dos casos, foram consultados 15 procedimentos relacionados a Vorcaro, sendo 11 deles sob sigilo.
As novas informações vieram à tona em meio à crise envolvendo o caso Banco Master e à disputa interna no STF sobre a divulgação de documentos da investigação. O levantamento parcial dos sigilos permitiu o acesso a diferentes elementos reunidos pela Polícia Federal durante a apuração.
