Alvo da Overclean, Barral foi chamado por Neto de “revelação do nosso time”. A Roble, do primo Marco Barral, saltou de R$ 6,7 milhões por ano antes de ACM Neto para R$ 273,3 milhões na gestão de Bruno Reis
Bruno Barral não surgiu agora no entorno de ACM Neto. Sua ascensão profissional e política aconteceu dentro da Prefeitura de Salvador, nos oito anos em que o hoje candidato ao governo da Bahia comandou a capital. Engenheiro eletricista formado pela UFBA, Barral começou na Diretoria de Iluminação Pública e, em setembro de 2017, foi promovido por ACM Neto para comandar a Secretaria Municipal da Educação, uma das maiores estruturas administrativas e orçamentárias do município, sem experiência prévia na área.
Permaneceu no cargo até dezembro de 2020, quando o então prefeito, ao fazer o balanço da gestão, o classificou publicamente como uma das “revelações do nosso time”. A proximidade seguiu depois da prefeitura. Após a derrota de ACM Neto para Jerônimo Rodrigues em 2022, Barral publicou fotografia ao lado dele e escreveu: “Estaremos sempre juntos, meu amigo. Perco ao seu lado e continuarei aqui.”
Essa relação é o que a Polícia Federal examina agora. Na décima fase da Operação Overclean, deflagrada nesta quinta-feira (17), Barral voltou a ser alvo de busca por contratos da Secretaria de Educação de Belo Horizonte firmados entre 2024 e 2025, quando ele comandava a pasta, que somam mais de R$ 80 milhões. A PF pediu ao Supremo Tribunal Federal busca e apreensão também contra ACM Neto, investigado sob suspeita de ter participado da indicação de Barral para a capital mineira com o objetivo de favorecer empresários em licitações e receber propina. A Procuradoria-Geral da República foi favorável, e o ministro Kassio Nunes Marques negou.
A empresa do primo
O elo com Salvador vai além da trajetória do ex-secretário. Marco André Queiroz Barral, primo de Bruno Barral, é o único sócio da Roble Serviços, uma das principais contratadas do município. Fundada em 2003 com capital de R$ 30 mil, a empresa recebia R$ 6,7 milhões por ano da prefeitura em 2012, último ano da gestão João Henrique. Com ACM Neto no comando, faturou R$ 197,8 milhões entre janeiro de 2013 e julho de 2019, em reformas de escolas e unidades de saúde, manutenção asfáltica, escadarias e poda de árvores. O Tribunal de Contas dos Municípios contestou os aditamentos sucessivos de um dos contratos de manutenção firmados em 2014, originalmente previsto para durar um ano.
Na gestão de Bruno Reis, sucessor escolhido por ACM Neto, a curva subiu de novo. A Roble acumulou R$ 273.310.962,33 em valores empenhados entre 2021 e 2026, de acordo com o Portal da Transparência. Somadas as duas gestões do grupo, a empresa do primo do secretário promovido por ACM Neto ultrapassa R$ 471 milhões em contratos com a prefeitura.