Grandes eventos, como o São João podem ser locais de risco para essas ocorrências; atenção dos pais é fundamental
Com a chegada do período junino, milhares de famílias maranhenses ocupam arraiais, praças e espaços culturais para acompanhar apresentações de bumba meu boi, quadrilhas e outras manifestações tradicionais do São João. Em meio à intensa movimentação de pessoas, especialistas alertam para a importância de redobrar os cuidados com crianças e adolescentes.
Em grandes eventos, o desaparecimento de crianças é uma das possíveis situações de risco. O Brasil registrou, em 2025, um total de 84.760 pessoas desaparecidas, o equivalente a 232 casos por dia, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, informados pelos estados e pelo Distrito Federal. O número não está necessariamente ligado a grandes eventos como as festas juninas, mas representa um aumento de 4,51% em relação a 2024, consolidando uma tendência de crescimento dos registros no país. Vale destacar, ainda que, do total de ocorrências, 23.919 envolvem crianças e adolescentes de até 17 anos, o que corresponde a 28% dos casos.
O operador de máquinas Flávio Teles conhece bem esse drama. No São João do ano passado, ele passou por cerca de duas horas de desespero após perder o filho, então com 9 anos, durante um arraial. “Foi o pior momento da minha vida. Em questão de segundos, meu filho desapareceu no meio da multidão. Eu e minha família começamos a procurar desesperadamente por todos os lados. Foram duas horas de muito medo, imaginando o que poderia ter acontecido”, relembra.
A criança foi encontrada chorando por uma vendedora ambulante que percebeu que o menino estava perdido e acionou a polícia. Os familiares foram localizados pouco depois.
“Quando recebi a notícia de que ele tinha sido encontrado, foi um alívio enorme. Hoje eu redobro os cuidados e sempre aconselho outros pais a não tirarem os olhos dos filhos durante os eventos. Basta um instante de distração para acontecer”, afirma.
VIGILÂNCIA
A assistente social e professora da Estácio, Enaire Sousa, destaca a importância da supervisão constante dos responsáveis, especialmente em grandes eventos como as festas juninas.
“É importante destacar que crianças não podem estar desacompanhadas de adultos responsáveis nesses ambientes. A principal orientação para evitar que elas se percam em arraiais ou eventos culturais é justamente a vigilância de maneira aproximada por parte dos adultos que estão acompanhando essas crianças”, enfatiza.
Segundo a especialista, locais com grande circulação de pessoas exigem atenção redobrada. Ela também alerta que o consumo de bebidas alcoólicas não pode comprometer a capacidade de cuidado dos adultos.
“Há necessidade de tomar cuidado em relação ao consumo de bebida alcoólica. Isso não pode prejudicar a capacidade de proteção dos adultos que estão com crianças sob sua responsabilidade”, ressalta.
O que fazer nesses casos
Quando uma criança desaparece, mesmo que por pouco tempo, a recomendação é comunicar imediatamente a situação às autoridades presentes no evento.
Segundo Enaire Sousa, um erro comum é a família tentar resolver o problema sozinha antes de acionar os órgãos responsáveis. “Quando a gente fala de desaparecimento de crianças, o tempo é crucial na resolução da situação. Muitas vezes, o erro da família é tentar resolver aquilo de maneira interna, quando há necessidade de que a situação seja comunicada”, explica.
Inicialmente, familiares podem pedir ajuda a pessoas próximas e informar características da criança desaparecida. No entanto, se ela não for localizada rapidamente, o desaparecimento deve ser comunicado oficialmente às forças de segurança.
Já quem encontrar uma criança ou adolescente aparentemente perdido durante uma festa junina deve procurar imediatamente as autoridades responsáveis pela segurança do evento. “O ideal é que isso seja comunicado de forma oficial. Caso encontre um policial no local, a informação pode ser passada diretamente. Se isso não for possível, a orientação é acionar o 190 para que a polícia realize os procedimentos adequados”, orienta Enaire Sousa.
A especialista também faz um alerta sobre uma prática comum que pode aumentar a vulnerabilidade da criança: divulgar imagens nas redes sociais.
“A pessoa que encontra uma criança ou adolescente não pode, antes de comunicar as autoridades, divulgar fotos nas redes sociais. Isso pode expor essa pessoa a riscos ainda maiores. O correto é comunicar formalmente os órgãos responsáveis”, conclui.

