Em Salvador, projeto oferece atendimento oftalmológico gratuito a cerca de mil crianças e adolescentes

Cerca de mil crianças e adolescentes da Bahia serão beneficiados por um projeto voluntário que oferecerá atendimento oftalmológico gratuito, nos dias 10 e 11 de setembro, em estrutura montada no Centro de Convenções de Salvador. A ação “Pequenos Olhares CBO”, organizada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e Sociedade de Oftalmologia da Bahia (SOFBA), ocorre dentro da programação do 70º Congresso da especialidade, reunindo profissionais do Brasil e do exterior. O público será encaminhado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e Sociedade de Oftalmologia da Bahia (SBOP), além do Ministério Público da Bahia (MPBA), do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e da Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude.

“Com essa iniciativa, queremos contribuir não só para a melhora da saúde, mas também da qualidade de vida dos pacientes atendidos. Sem dúvida, o diagnóstico e o tratamento precoces de problemas de visão podem ajudar na performance dos alunos em sala de aula e até evitar a evasão escolar”, relatou a presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão. A iniciativa também conta com o apoio do Ministério Público da Bahia (MPBA), do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e da Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude.

O público beneficiado pelo “Pequenos Olhares CBO” terá acesso a consultas oftalmológicas e exames de diagnóstico. Os pacientes com problemas de visão confirmados receberão, ainda, gratuitamente, um par de óculos com lentes corretivas. Ao todo, cerca de 2 mil crianças e adolescentes foram triados inicialmente com a ajuda de órgãos públicos locais, responsáveis por cadastrar previamente o público-alvo e selecionar aqueles com queixa ou histórico de problema visual. Desse grupo, saíram os mil selecionados para o atendimento.

Os atendimentos serão realizados por médicos oftalmologistas que estarão em Salvador para participar do Congresso do CBO, com o apoio de alunos voluntários dos cursos de Medicina do estado. Além do atendimento oftalmológico, os participantes terão acesso a atividades lúdicas, com a orientação de recreadores, o que torna o acesso aos cuidados com a saúde ocular uma experiência mais acolhedora.

Legado – Em seu formato atual, o Pequenos Olhares CBO iniciou suas atividades em 2022, durante o 66º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Curitiba (PR). Desde então, o projeto vem se consolidando como uma das principais ações sociais do movimento médico nacional, somando resultados expressivos em edições realizadas em Fortaleza, Brasília e Curitiba (pela segunda vez, em 2025). Agora, a iniciativa chega à sua quinta edição, desta vez em Salvador.

“O Pequenos Olhares reúne estudantes de Medicina, médicos residentes e especialistas que doam seu tempo e conhecimento para atender esse público. É também um momento de troca: ao cuidar dessas crianças, lembramos da dimensão social da profissão médica”, explica a presidente do CBO, ao reiterar que a ação vai muito além de um mutirão.

Refração – O CBO aponta os erros de refração não corrigidos como a principal causa de deficiência visual entre crianças brasileiras. Por afetarem diretamente o rendimento escolar e a socialização, esses problemas geram grande impacto econômico e social. Os dados de atendimento na rede pública ajudam a compreender a dimensão do problema e a dificuldade de acesso à assistência qualificada.

A partir do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS), ligado ao Ministério da Saúde, fica evidente que essa demanda é corrente entre as faixas etárias. Em 2025, último ano com dados consolidados, foram registradas 2,4 milhões de consultas oftalmológicas pediátricas (0 a 19 anos) na rede pública, das quais 1,2 milhão, ou 48,7% do total, foram feitas em bebês com menos de 1 ano de idade, volume que se aproxima da soma de todas as outras faixas etárias pediátricas juntas. O número está associado à realização do teste do olhinho e às avaliações de rotina recomendadas nos primeiros meses de vida.

Já a faixa de 1 a 4 anos, considerada decisiva para identificar estrabismo e ambliopia, concentra a menor procura, com pouco mais de 171 mil consultas no período, o equivalente a 6,8% do total. O dado chama atenção justamente porque é nessa fase de transição que a triagem visual contínua e o primeiro exame oftalmológico completo são mais recomendados.

Reflexo vermelho – As recomendações de acompanhamento oftalmológico na infância começam ainda na maternidade. O teste do reflexo vermelho, o chamado teste do olhinho, deve ser feito nas primeiras 72 horas de vida e repetido pelo pediatra ao menos três vezes ao ano até os 3 anos de idade.

O exame oftalmológico completo, por sua vez, deve ocorrer em pelo menos duas etapas: a primeira entre 6 e 12 meses de vida e a segunda entre os 3 e os 5 anos, preferencialmente aos 3 anos. Crianças e adolescentes que já usam óculos ou lentes de contato precisam manter exames periódicos, já que o grau de correção pode mudar ao longo do crescimento.

Fora desse calendário, os oftalmologistas recomendam buscar atendimento sempre que a criança apresentar sinais como dor de cabeça, cansaço visual, dificuldade de foco, lacrimejamento constante, o hábito de apertar os olhos com frequência, necessidade de sentar-se perto da lousa na escola ou queda no rendimento escolar.

Para a presidente do CBO, a triagem oftalmológica é fundamental do ponto de vista da saúde pública por permitir a detecção precoce de doenças e prevenir a cegueira infantil. Esse trabalho, conta Maria Auxiliadora Frazão, tem impacto positivo no tratamento precoce de problemas como a ambliopia (olho preguiçoso) e as ametropias (erros refrativos decorrentes de condições em que os raios de luz não são focados corretamente na retina, resultando em uma visão desfocada). Entre elas, estão miopia, hipermetropia e astigmatismo, todos corrigíveis com óculos, lentes de contato ou cirurgia.

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