Medida reúne 15 países, incluindo os Estados Unidos, e prevê sanções financeiras e restrições migratórias; Brasil ficou de fora da iniciativa
O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) foram incluídos em uma lista de 24 organizações classificadas como “narcoterroristas” por integrantes do Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos. A iniciativa foi anunciada nesta terça-feira (22), durante encontro em Nova York, às margens da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A declaração conjunta prevê ações coordenadas contra os grupos, incluindo o congelamento de ativos, restrições de vistos e imigração para integrantes, associados e apoiadores, além de medidas criminais contra pessoas que forneçam apoio material ou logístico de forma consciente. A aplicação, porém, deverá respeitar a legislação de cada país participante.
Brasil não integra a coalizão
Além dos Estados Unidos, fazem parte do Escudo das Américas Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. O Brasil não participou do encontro nem integra a iniciativa.
A lista reúne organizações criminosas de diferentes países da América Latina e do Caribe, entre elas o Cartel de Sinaloa, o Cartel de Jalisco Nova Geração, a Mara Salvatrucha (MS-13), o Tren de Aragua e o Exército de Libertação Nacional (ELN).
Medidas e reação brasileira
O encontro foi conduzido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que defendeu a adoção de medidas conjuntas contra organizações criminosas. Segundo reportagem do UOL, o governo brasileiro não tinha sido informado previamente de que PCC e CV seriam incluídos na declaração dos países participantes.
Em discurso na ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o Brasil mantenha a responsabilidade pelo combate ao crime organizado e pela proteção de suas fronteiras. Em declarações anteriores, Lula havia rejeitado a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas, embora tenha defendido ações para enfrentar o poder desses grupos.
A declaração do Escudo das Américas prevê ainda que os países participantes solicitem uma reunião de consulta no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA), para discutir possíveis medidas coletivas.
